Projetos de tecnologia a favor da saúde

Por Gustavo Teixeira

As tecnologias embarcadas ou disponibilizadas de forma isolada contribuem não somente para a melhoria progressiva da produtividade mas, no caso do setor da saúde, um salto em direção ao bem-estar dos pacientes. Como toda organização, os hospitais, clínicas e instituições voltadas à saúde também necessitam de gerenciamento estratégico para a tomada de decisões que influenciarão tanto o seu desempenho, quanto a eficiência no atendimento aos clientes/pacientes.

No entanto, equilibrar os custos e ter uma boa gestão que traga benefício aos pacientes não é uma tarefa fácil, ainda mais em um cenário econômico instável como o atual, por isso, é necessária uma abordagem que atenda aos requisitos assistenciais, sem perder o foco na sustentabilidade financeira. Por conta disso, a adoção de novas tecnologias para facilitar o fluxo da informação dos pacientes é a melhor opção.

Graças aos avanços tecnológicos, a evolução do gerenciamento de consultas e os diagnósticos cada vez mais precisos são visíveis. Um exemplo clássico é o caso em que o paciente vai ao hospital e precisa fazer um exame e, pouco tempo depois, o médico consegue diagnosticar e realizar os registros na própria tela do seu computador, considerando como fonte de pesquisa os laudos anteriores e informações históricas. Essa situação, alcançada graças ao uso de tecnologias no cenário hospitalar, é cada vez mais comum, reduzindo tempo, custos e permitindo um diagnóstico cada vez mais confiável, baseado em bases históricas e disponíveis em tempo real para gerar o valor perceptível por quem utiliza os serviços.

No entanto os dados armazenados necessitam de tratamento de forma a se tornarem registros íntegros. É preciso enxergar além dos bits e ter respostas que guiem os gestores para decisões estratégicas que beneficiem o paciente e as organizações. É uma missão fácil? Certamente não.

Em uma instituição de saúde, a cada minuto são gerados dados vindos das mais variadas fontes, de um simples formulário preenchido na recepção do paciente até dados emitidos diretamente de aparelhos especializados em um CTI.

Em um cenário tão complexo, nos bastidores a preocupação principal é oferecer infraestrutura e soluções capazes de armazenar as informações de maneira íntegra, garantindo ainda seu sigilo, rapidez na transmissão e suporte, através de uma equipe especializada e disponível full time, já que neste tipo de negócio a geração de informação é contínua, tornando-se necessário garantir o funcionamento destas soluções durante todas as horas do dia.  Tecnologias para negócios críticos como este costumam trazer junto do alto valor agregado, um custo igualmente elevado para sua aquisição e manutenção.

Para este segmento, a tecnologia provê informações que podem comprometer não somente uma tomada de decisão estratégica, mas também um diagnóstico equivocado que poderá desencadear um tratamento igualmente inadequado.

É imprescindível que a instituição de saúde tenha uma visão desenvolvida para projetos de tecnologia, a seguir é apresentado 4 passos básicos para o melhor aproveitamento dos recursos disponibilizados neste tipo projeto:

  1. Viabilidade – Momento em que é estabelecida uma justificativa financeira e operacional com visão de benefício a médio e longo prazo. Conectado com as metodologias de planejamento estratégico da instituição.
  1. Partes Interessadas – Lideranças são imprescindíveis nesta fase, a qual os requisitos para a implantação podem ser rapidamente identificados e realinhados, considerando a visão de benefícios da fase anterior. Talvez seja necessário contar com empresas especializadas no setor de tecnologia, por possuir um ciclo de obsolescência cada vez mais curto.
  1. Riscos e Compliance – Nesse momento, os requisitos legais e operacionais relacionados às atividades do negócio são tratados. Órgãos que protegem fornecedores, pacientes, sociedade, entidades de classe, moradores do entorno, entre outros, são considerados e atendidos. Deve-se possuir uma tratativa específica para cada entidade no mapeamento de riscos do projeto.
  1. Transição e Comunicação – O foco é na continuidade da solução proposta, considerando uma comunicação adequada para alcançar todos os principais stakeholders do projeto. O uso de especialistas para esta fase e gerentes funcionais é imprescindível para garantir tanto a estabilização dos processos após a produção, quanto sua devida manutenção.

O uso da tecnologia na área da saúde é um movimento que mobiliza tanto os profissionais quanto impacta os pacientes. Por isso é fundamental que os fornecedores de tecnologia estejam atentos às necessidades das instituições, além das soluções técnicas, devem considerar o contexto ambiental, priorizando o benefício para o paciente tanto quanto a sustentabilidade para a instituição que patrocina estes projetos.

*Gustavo Teixeira é especialista em gerenciamento de projetos da Ativas e atua em instituições como PMI-MG e SUCESU-MG.

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